A ilusão de que tecnologia resolve a educação

Computadores e internet são ferramentas, não soluções. A Suécia já recuou do modelo digital nas escolas. No Brasil, insistimos em atalhos que não existem

J

João Batista Pereira

27 de março de 2026 2 min de leitura
Compartilhe!
Sala de aula com alunos e computadores representando a tecnologia na educação
Educação

Ouvir este artigo

Narracao gerada por IA

0:00/--:--

A educação é sempre lembrada como algo importante para a sociedade — e é mesmo. Mas, na prática, muita gente fala sobre o tema sem entender de verdade o que está em jogo.

De tempos em tempos surgem as famosas “soluções milagrosas”. A mais recente (ou nem tão recente assim) é a ideia de que basta encher as escolas de tecnologia que o problema da educação estará resolvido.

Não está. E não vai estar.

Claro que é importante que os alunos tenham acesso a computadores e à internet. Ninguém sério discute isso. O problema é tratar essas ferramentas como solução, quando elas são, no máximo, apoio.

Tecnologia não ensina sozinha. Computador não substitui professor. E acesso à internet não garante aprendizado nenhum.

A internet entrega informação. Mas transformar informação em conhecimento exige disciplina, método, leitura e, principalmente, orientação. Sem isso, o que temos é distração — não aprendizado.

Um exemplo interessante vem da Europa. Em 2023, a Suécia, que vinha apostando forte em um modelo de ensino altamente digital, resolveu pisar no freio. O país voltou a investir pesado em livros físicos, destinando cerca de 45 milhões de euros para materiais impressos.

Não foi por acaso. Entre os motivos apontados estão a queda na concentração dos alunos e dificuldades crescentes em leitura e escrita.

Isso não surpreende. A Sociedade Brasileira de Pediatria já recomenda limites claros para o tempo de exposição às telas, de acordo com a idade. E estudos da Universidade de Harvard apontam efeitos negativos do uso excessivo: problemas de sono, dificuldades de comunicação e até prejuízos no desenvolvimento cognitivo.

Ou seja: a tecnologia, quando usada sem critério, pode mais atrapalhar do que ajudar.

No fim das contas, a discussão é simples — mas muita gente insiste em complicar.

Educação de qualidade não se constrói com atalhos. Não existe solução mágica.

Se existisse, já teria sido aplicada há muito tempo.

Tecnologia pode ajudar, claro. Mas está longe de ser o centro da solução. O básico continua sendo o que sempre foi: bons professores, leitura, escrita e formação crítica.

Ignorar isso em nome de modismos é, no mínimo, ingenuidade. No pior dos casos, é irresponsabilidade.

J

Escrito por João Batista Pereira

Jornalista e analista político com mais de 17 anos de experiência em educação e comunicação estratégica.

Compartilhe!