Não foi a primeira vez.
As chuvas intensas que atingem a Baixada Santista vêm se repetindo ano após ano, sempre com o mesmo roteiro: muita água em pouco tempo, ruas alagadas, casas invadidas e prejuízo para quem menos pode absorver esse impacto. Em 2025, os números chamaram atenção. Em 2026, os episódios se repetiram.

Em fevereiro de 2025, cidades da região registraram volumes expressivos em poucas horas: cerca de 117 mm em São Vicente e mais de 100 mm em Santos. Esse alto volume de chuva atingiu todos os municípios da Baixada Santista. Meses depois, em agosto, novos temporais trouxeram novamente o mesmo cenário: alagamentos, casas invadidas pela água e prejuízos para a população.
Em 2026, o roteiro se repetiu. Temporais concentrados, muita água em pouco tempo e, mais uma vez, alagamentos em diferentes pontos da região, inclusive no Litoral Sul. Coincidência? Difícil acreditar. Quando eventos assim passam a acontecer com frequência, deixam de ser exceção e passam a indicar um novo comportamento do clima, marcado por eventos extremos cada vez mais comuns.
Diante disso, a pergunta é inevitável: nossas cidades estão preparadas? A resposta, olhando a realidade, é desconfortável não estão.

E não se trata apenas de reagir quando a chuva vem, mas de se antecipar. Limpeza de bueiros, manutenção de canais e desassoreamento de rios são medidas básicas e, muitas vezes, nem o básico é feito como deveria. Mas o problema vai além. É preciso planejamento sério: estudos técnicos, mapeamento de áreas de risco, revisão da ocupação urbana e, quando necessário, a coragem de admitir que há regiões onde simplesmente não se deveria mais construir ou morar.
Não é uma tarefa simples. Prefeituras e Câmaras de Vereadores precisam buscar conhecimento técnico, dialogar com universidades e especialistas e transformar isso em políticas públicas.
A verdade é simples: a natureza já deu todos os sinais dessa mudança o que falta é ação.
As soluções passam pelo básico, que precisa ser feito, mas também por decisões difíceis, planejamento sério e responsabilidade com o futuro das cidades. Não é um problema de um mandato, nem de um partido. É um desafio que exige continuidade, compromisso e coragem.
Porque, no fim, não é sobre chuva.
É sobre as pessoas que perdem móveis, memórias e, às vezes, a própria segurança toda vez que a água sobe. E essas pessoas não podem continuar sendo tratadas como parte inevitável do problema, quando, na verdade, são as principais vítimas da falta de solução.
