No dia 25 de março de 2026 a Embraer deu um passo histórico: lançou o primeiro caça supersônico produzido na América Latina.
Mas o ponto central não é o avião.
É o que veio junto com ele.
O acordo de compra dos caças Gripen garantiu transferência de tecnologia para o Brasil. Isso significa sair da condição de comprador para a de produtor de tecnologia de ponta.
Isso faz diferença?
Muita.
Cerca de 350 engenheiros brasileiros foram à Suécia para capacitação. O resultado é claro: o Brasil passa a integrar o grupo restrito de países capazes de desenvolver caças supersônicos.
E os impactos não param aí: são cerca de dois mil empregos diretos e dez mil indiretos.
Não é só indústria. É soberania.
A Embraer também fabrica o KC-390 Millennium, concorrente direto do C-130 Hércules, produzido nos EUA. E o avião brasileiro vem ganhando espaço.
Além do Brasil, Portugal e Hungria já operam a aeronave. Outros países, como Áustria, República Tcheca, Coreia do Sul, Países Baixos e a própria Suécia, também já compraram ou estão recebendo o modelo.
Ou seja: o Brasil não apenas produz — exporta tecnologia.
No setor civil, a Embraer também é protagonista. Lidera o mercado global de aeronaves de até 130 assentos e mantém um portfólio sólido de jatos executivos, como as linhas Legacy e Phenom.
Recentemente, a Avelo Airlines (USA) encomendou 50 unidades do E195-E2 — com possibilidade de ampliar esse número.
Isso não acontece por acaso.
A Embraer é a prova de que, quando o Brasil investe em pesquisa e desenvolvimento, compete em nível global.
Mas há um problema.
O Brasil costuma duvidar de si mesmo.
Empresas estratégicas como Petrobras, Fiocruz e o Instituto Butantan não são apenas grandes instituições. São pilares de inovação e autonomia nacional.
E, ainda assim, frequentemente entram no radar de privatizações ou perda de controle.
Vale lembrar: durante o governo de Jair Bolsonaro, houve uma tentativa de venda da área comercial da Embraer para a Boeing, que ficaria com 80% do negócio.
Se tivesse dado certo, a pergunta é inevitável:
Onde ficariam os empregos?
Onde ficaria a tecnologia?
Onde ficariam as decisões?
Certamente, não no Brasil.
A Embraer mostra o caminho.
A dúvida é se o país está disposto a segui-lo — ou se vai continuar abrindo mão do próprio futuro.
