O Brasil pode liderar: a Embraer já provou

Com o lançamento do primeiro caça supersônico da América Latina, a Embraer mostra que o Brasil compete no nível global quando investe em pesquisa e desenvolvimento

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João Batista Pereira

28 de março de 2026 2 min de leitura
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Aeronave Embraer representando a indústria aeronáutica brasileira
Economia

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No dia 25 de março de 2026 a Embraer deu um passo histórico: lançou o primeiro caça supersônico produzido na América Latina.

Mas o ponto central não é o avião.

É o que veio junto com ele.

O acordo de compra dos caças Gripen garantiu transferência de tecnologia para o Brasil. Isso significa sair da condição de comprador para a de produtor de tecnologia de ponta.

Isso faz diferença?

Muita.

Cerca de 350 engenheiros brasileiros foram à Suécia para capacitação. O resultado é claro: o Brasil passa a integrar o grupo restrito de países capazes de desenvolver caças supersônicos.

E os impactos não param aí: são cerca de dois mil empregos diretos e dez mil indiretos.

Não é só indústria. É soberania.

A Embraer também fabrica o KC-390 Millennium, concorrente direto do C-130 Hércules, produzido nos EUA. E o avião brasileiro vem ganhando espaço.

Além do Brasil, Portugal e Hungria já operam a aeronave. Outros países, como Áustria, República Tcheca, Coreia do Sul, Países Baixos e a própria Suécia, também já compraram ou estão recebendo o modelo.

Ou seja: o Brasil não apenas produz — exporta tecnologia.

No setor civil, a Embraer também é protagonista. Lidera o mercado global de aeronaves de até 130 assentos e mantém um portfólio sólido de jatos executivos, como as linhas Legacy e Phenom.

Recentemente, a Avelo Airlines (USA) encomendou 50 unidades do E195-E2 — com possibilidade de ampliar esse número.

Isso não acontece por acaso.

A Embraer é a prova de que, quando o Brasil investe em pesquisa e desenvolvimento, compete em nível global.

Mas há um problema.

O Brasil costuma duvidar de si mesmo.

Empresas estratégicas como Petrobras, Fiocruz e o Instituto Butantan não são apenas grandes instituições. São pilares de inovação e autonomia nacional.

E, ainda assim, frequentemente entram no radar de privatizações ou perda de controle.

Vale lembrar: durante o governo de Jair Bolsonaro, houve uma tentativa de venda da área comercial da Embraer para a Boeing, que ficaria com 80% do negócio.

Se tivesse dado certo, a pergunta é inevitável:

Onde ficariam os empregos?

Onde ficaria a tecnologia?

Onde ficariam as decisões?

Certamente, não no Brasil.

A Embraer mostra o caminho.

A dúvida é se o país está disposto a segui-lo — ou se vai continuar abrindo mão do próprio futuro.

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Escrito por João Batista Pereira

Jornalista e analista político com mais de 17 anos de experiência em educação e comunicação estratégica.

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